Também sou vermelho transformado em outra coisa;
Outra coisa arte.
Meus corpos são bobinas
Todas bobas e elas riem.
Transformam leite em mim
Fazendo eu não saber de ti – só pra rimar.
Encontro um esconderijo
De barbas mal feitas
Ouço o barulho da maçaneta,
Da gaveta
E até do quarto ao lado.
Às vezes o escuro tem tanta clareza...
Habita tanta vida que não há como haver uma intenção de tristeza.
Lua uiva com os pássaros loucos
A assobiar poesias amargas
De gente dormindo.
Já se passou a madrugada
Só que o silêncio ainda neblina
Os olhos de quem nem os abriu.
Encanto o sono com rimas loucas,
Palavras soltas
E caiu na metalinguagem da construção
Mais uma vez,
De Novo...
Repito-me.
Quem não se repete?
Eis também aquela rima usada,
Gasta, mas sempre nova.
Não só sou eu a rimadora
Que rema delírios na ponta do navio.
Sou a ancora que o segura no solo
Sou a hélice que o faz navegar...
Sou um sopro no vazio
Sou o vento quando ele não quer ventar.
De costas pro mar rimo as últimas linhas
Desse mundo louco,
Mas não chego ao final.
Coço o pensamento,
Estalo os dedos,
Tenho que acordar cedo.
Esqueço o que pensei pro desfecho,
Desviei o foco.
Por isso eu invoco
Uma força qualquer
Pra rimar ‘o que quiser’
Com ‘qual é’
E não ser considerada o coringa,
A charada de um segredo que não existe.
Trago outros pensamentos para a imensidão
Do que escrevo,
Sem sentido aparente,
Insano e descrente,
Acreditado e comum
Alheio a qualquer vontade,
Tanto que quem escreveu isso não fui eu, juro.
Foi o instante fugaz,
Que exigiu de mim olhar de diamante,
Me pós na estante
E tentou me ninar pra dormir.
Agora percebo o teu canto...
Primeiro sem uma palavra,
Depois ressoando teus versos.
Já deixei as vacas indo pro brejo,
Não quis aquela companhia,
Carreguei um peso de medida inexata nas costas,
Ninguém queria saber o tamanho,
Lavei as mãos com pedras lisas,
Joguei fora a saliva,
E fui alvo de uma vontade de não acabar...
Usei meus cabelos como cortina
E fui dormir
Lágrimas de bocejo,
Ou melhor, como nome do filme e por causa do mês:
Lágrimas de abril.
Terminei?