segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

avenida.

A menina me deu asas e eu insistir em não usar. “menina, sabe pra que serve toda essa aerodinâmica? O que posso te dar?”
Ofereci apenas o que tinha. Esse lado meu, esse eu que sou outro também. Ofereci o que não tinha somente nos devaneios em que estávamos juntas, felizes.. “isso é uma corrente, uma correnteza” certeza nenhuma dessa vida eu carrego, um tobogã capaz de me levar ao fundo e ao mesmo tempo me fazer sentir uma provável adrenalina.. “deixa fluir”, é o que meu corpo dizia, e a minha voz repetia como sendo a forma mais certa de se imaginar um voo noturno com asas dadas.

Quis a noite, quis a avenida inteira em busca do que consome o tempo e o faz passar mais depressa ao teu encontro. Se sou uma estrada ou caminho, não sei quais são meus trilhos nem a direção e o meu sentido, sei que um dia cheguei ao teu lado no improvável que os desencontros nos deu e no encontro que se seguiu, oscilando entre alegria e tristeza no beijo. Enxergando o amor, mas calando-o com toda a força. “sufoca”, sufoco na lembrança das palavras rabiscadas em um livro, no decalque de cada verso em minha mão, no carimbo que fiz em cada passo que dei e dou: uma avenida. Talvez uma rua em suas pegadas com cruzamento e destino e curvas sinuosas à direita, como uma placa de trânsito. E eu acelero, e divago, e corro, e chego, e te abraço, e vou. “eu fico, se você quiser” sem promessas solares, mas com um luar gigante em nossa janela, num oceano nosso de beijos – os mais maravilhosos com gosto de pasta de dente. E sem final, finalmente somos mais do que eu e você, somos nós.

13 de dezembro 2014.