segunda-feira, 30 de março de 2009

Do Fogo ao High-tec

O que é novo para o homem traz o temor do desconhecido. A partir do momento em que o homem caracterizou-se como a espécie “alfa” descobriu e modificou o mundo, desde a utilização dos recursos naturais aos equipamentos eletrônicos; o homo sapiens sempre foi o sujeito praticante da ação na descoberta do novo, que, por muitas vezes, assustou, mas também encantou os mesmos.
Posso imaginar o espanto dos homens ao descobrirem o fogo, o quão maravilhados e amedrontados ficaram com esse avanço. Acredito que teve aqueles que foram contra, que provavelmente argumentaram que algo que não era inerente ao homem não poderia coexistir naquele ambiente, mesmo se trouxesse vantagens para o mundo primitivo. Não tiro a razão deles, é compreensível o receio do incógnito, afinal, o que era de conhecimento dos mesmos era que a luz pertencia ao dia e a escuridão, à noite. Mas eis que surge a pergunta: por que não o fogo iluminando a noite? Com esse questionamento foi ultrapassada a barreira do desconhecido criando uma nova fase na história; o homem vislumbra-se com as possibilidades e usufrui da capacidade que o fogo tem de fazer com que a noite também fosse um horário propicio para realizar tarefas - outrora só executáveis enquanto houvesse sol – como a capacidade de desenvolver a culinária, aquecer no frio, iluminar o ambiente e outras funções possíveis para o elemento.
Imagino outro medo do homem: o fogo queima - fato fundamental para os que discordavam não permitirem a entrada dele no ambiente sociocultural -, era perigoso toca-lo e não conseguir manipula-lo apenas com o auxílio das mãos, e isso preocupava os habitantes da caverna. E assim, foi percebido o limite entre o homem e o fogo. Com a tecnologia deve-se estabelecer também um limite no intuito de preservação, de proteger o homem de ser manipulado pela tal, após uma dependência tamanha e avanços, como sugeriu o filme “Matrix” que retrata uma realidade de domínio das máquinas e nós como meras fontes de energia de abastecimento. Quando esse limite é ultrapassado as conseqüências não são agradáveis, como no mito da Torre de Babel, por exemplo, narrada no gênesis, em que os homens erguem a torre na intenção de alcançar o céu para que não fossem espalhados sobre a terra; a conseqüência dessa tentativa foi a chamada “confusão das línguas”, onde foi retirada a unidade linguística do povo. Atualmente, as consequências também chegariam, mas não tem como prever se seria para o lado do homem ou da tecnologia.
A tecnologia é um processo em mutação constante, veio o fogo, antes do fogo existiram outras técnicas, depois do fogo outras e o high-tec, que atualmente está no topo da pirâmide, mas deverá aparecer algo mais “high”; a verdade é que o mundo não para de avançar, principalmente por haverem pessoas a frente do seu próprio tempo com ideias inovadoras. É inevitável, afinal, pessoas assim não desaparecem do mundo, mas é preciso que tudo seja feito harmonicamente, em equilíbrio: as inovações acontecendo e homem e tecnologia coexistindo, respeitando o limite entre criador e criatura.

domingo, 8 de março de 2009

Seguro o Céu

Quem me dera a insegurança
presa por um crime.
Não direi que olhei para o alto
e não vi os sapos chorarem...

Caminhei naquela manhã quente,
abafada e fria de sentido.
Uma chuva fina misturava-se
com o crepúsculo do dia.

Na vivacidade das avenidas
que andei, dos carros que vi passar...
eu também passei.
E levei comigo imagens vivas
feitas de tristeza e alegria.

Brilha, oh, luz do dia;
venha mostrar a minha morada.
Eu sou como aquela gota d'água
que escorrega, lentamente, na rosa.

Assobio o meu canto feito passarinho
não por ser um canto belo,
mas pela leveza... igual a um voo seguro
de um pássaro imponente.

Eu também sou assim:
abro as asas para conquistar o céu.

(Carol Aó)