segunda-feira, 20 de março de 2017

animais noturnos

não tenho rastro em seu caminho. flutuei.
De todas as mulheres que amou, eu fui amante.
De todas as mulheres que amou, eu não me amava.
De todas, eu segredos.
De todas, eu silêncio.
Você me dizia "é uma relação de anos"
- e o tempo importa?
Você me dizia que não, quando a boca desejava sim.
- você me ama?
Você sentia culpa enquanto em mim havia apenas amor.
- quando a escolha é sua, ela vale antes de todo o resto.
Você contou os dias com ela, mais de 5 mil. "Rede social não importa. Eu não ligo.", mas lá estava o registro.
De mim, nem sombra. E ainda reclamou comigo. Eu, a sombra, com todas as desvantagens de ser invisível quando o outro tem certeza de que lhe enxerga.
Quando burradas fiz, quantas burradas causei. Quantas você causou e eu não vi a tempestade.
Quantas ausências em espera constante é uma apatia no que restou. Numa falsa sensação de alívio, não nos demos nada depois que disse 'não' há um pedido e contabilizou os dias com ela. Seu coração disse 'sim' pra mim?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

depois da folia.

Às vezes meu pensamento é todo seu.
Meu coração te segue em silêncio enquanto vivemos outras vidas,
o nosso agora, 
o que é (parece) ser o certo no meio de tanto errado de nós.

Olho o sorriso da lua por uma estrada conhecida nossa.
Me vem o seu sorriso e brilho. 
Me vem o seu nome que é luz, me vem você.
Tantas highways...
Você distante e eu também.
É a vida - insisto em dizer.
Sei que está perto do amor sincero e sem peso.
(não duvido disso)

Ligo o carro. A rádio toca...

"O amor precisa de sol
e do barulho da chuva
de beijos desesperados
de sonhos trocados
da ausência de culpa."

(entendi mais uma vez o porquê não)

Há verdade em cada desejo que reprimo, 
há mentira em cada vontade mais próximo do adeus.
É assim que vejo.
De todas as minhas mentiras, 
nós foi a maior verdade (esquecida no tempo).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Balada de uma mulher só

No quarto. Só.
Janelas são grades espaçadas, espaços são cantos que não me encontro.
Entretanto, conto uma versão de minha história a outro ser, antes tão cheio de importância, antes tão cheio de mim e eu de si.
Masmorras estão nas brechas de luz que não vejo com clareza. Rezo, pois minha fé não tem nome nem um Deus. É carbono ou titânio, ou talvez, um lápis onde possa escrever a minha nova cena.
Não diminua seu encontro. Encontrarei, mesmo que seja numa rua deserta a minha imagem refletida em um grande espelho, mostrando para mim quão pequena sou e tão grande posso ser capaz de ser.
Bebo o último gole d’água do copo, essa é a minha receita. Entorpecer de passado, presa numa dor futuro. Tão abstrata que não sei se existe. Você entende o que é para uma mulher ser apenas invisível? Entende como é para uma mulher amar uma outra mulher?
Acho que preciso acreditar mais em algo. Em algum caminho, destino, qualquer merda dessas que seja, que me oriente a entender o propósito de tamanha dor e julgamento.
Você sabe o que é ser uma mulher? Sabe o que é ter um coração cuja a alma toca e nos faz sentir tudo em uma potência tão elevada?
Talvez se fosse um grito em silencio, uma vitória em que não se celebre, as coisas ganhariam nova textura e um ritmo em que não denunciaria a minha covardia. O meu impulso. Minha vontade de errar.
Volto a sorrir ao seu sinal, mas é tudo tão momentâneo. O devaneio é distante, pois distante é o estado em que me desencontro, no encontro onde não há apenas palavras e gestos. Há o que não desejo sentir.
Isso é ser mulher. Na corda bamba dos sentidos que transcendem o corpo. O corpo é um guia as multidões. Não, não é. Não sou sua guia. Ergo o cenho, pois estou viva e já cai muito. Já deixei o corpo ser dos olhares, hoje nego a ser. Tenho minha carne, essa é a minha carne! Você não entende?
Você sabe como é ser uma mulher? O que passamos para afirmamos, exaltarmos o que nos faz fortes e fracas, sem medo da fraqueza e sem se importar com tamanha força?
Quem é você? Mas que merda de mulher é essa? Eu me indaguei olhando para o meu reflexo. Que compaixão desenfreada. Que pena insolente.
Não existe mais dor. Falo isso pelo que virá. Liberte-se. Em um determinado momento, não hoje nem amanhã, vai ser fácil. O que doía se consome por si só. Nessa balada de uma mulher só, a gente se acostuma com ausência. Aprende a saber. Também acho que é uma pena.
Foi como tinha que ser, não dá para pensar de outra maneira. “Já estava escrito”, ela me disse. E eu quase que instantaneamente respondi “Muita coisa já estava escrito. O problema é entender a caligrafia”.

sábado, 28 de janeiro de 2017

dentro

ali.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ali.

tudo ali, nada te tenho. o risco risca. 
a estrada fica onde eu não estou também. 
previ, prevejo, vejo e me mantenho em silencio. 
o primeiro a esquecer é o mais feliz. 
o primeiro a perdoar é o mais corajoso -
sei que covarde fui tantas vezes - 
tudo ali, nada te tive.
nada.
agora sei que entende a diferença.
leveza.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

agora

a vida é um sopro de saudade
das declarações que não fizemos,
daquelas que não nos fizeram.

a vida é sopro, antes tudo, antes saudade, antes nada.
um ciclo que se molda em coisas que não nos damos,
em gestos que não trocamos, antes só feito quando
se tinha o antes.

dificil antes notar a diferença.
dificil era o antes.
fácil é pura beleza
advinda de poesia.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

luar.

- por que amanhece?

- talvez a noite seja aquilo que a madrugada não lembra.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

o giro.


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Eu vivo esse transe. Num instante sou veneno em outro a cura. Passos, pés, pegadas, marcas pelo caminho em giro de flor. Sei que quase nunca nada faz sentido ou tudo se reverte do que nada pode ser enquanto outra vida desperta numa vista tranquila. Existem provérbios que não leio, existem razões que não escuto e desejos que nego perante todos. Vivo em disritmia, onde prevejo o beijo esquecido e as mãos não dadas, onde anseio pelo que não chegou e nem tem sinal de vir. É como uma ciranda onde não conheço a nota, apenas toco por dedicação passada. Enquanto a toco, sei de cor, mas se me perguntam nem sei como se anuncia, que nota seria essa ou aquela, por onde começa, por onde caminha e termina.

domingo, 8 de janeiro de 2017

janeiro

antes de tudo, isso não é um poema.

"Amanheço do último dia de dezembro" essa frase martela como um relógio em meu pensamento. Talvez seja apenas uma metáfora para o passado ou sobre novos começos. E hoje, depois de dezembro, admiro mais meus amigos que estão ao meu lado, a mim mesmo, a minha família.
Passamos tanto tempo querendo entender porque não nos dizem eu te amo, não há elogios da boca de quem nos amou, em vez de fazermos o que o coração recebe até em nossos silencios: doe amor. Chame de linda, maravilhosa, tenha amor e carinho. Demonstre, se mostre. O silêncio é o tormento da fala, não quem você é. Amor é escolha. Demonstre afeto, mostre que o afeto afeta da forma mais bela.
Somos passageiros, logo mais, não há mais. Existem tempestades, existem tormentas, existe força, esperança e harmonia. Nada se anula na gente sem um efeito, nada que vivemos não é escolha, talvez sorte. A vida é essa tanta coisa que sentimos em um mundo sem sentido e sedento por ela. O mundo é uma surpresa, boa ou ruim é como fotografia revelada sob a luz vermelha. É uma ideia do que capturamos com a surpreendente revelação de que o belo é uma questão abstrata de conceito e regras que não se aplicam pra gente.