sábado, 12 de dezembro de 2009
Devaneio
Pra não querer o pão
E mudar toda vez a vida.
- Está disposto a ter novos olhos?
Perguntou a dona das maravilhas.
- A alma não pode ser pequena. – insistiu.
Podemos ser infinitos
Até quando não é pra sermos.
A gente se desenha na areia,
Molha o pé em outras marés
Brinca de viver.
Faça acontecer o que quiser,
Mas que seja forte
Pela sua grandeza de ser palavra.
Prefiro vê-lo na loucura com seus devaneios
E sendo quem é.
Eu deveria ser igual ao Borboleta.
Pode ser que eu atravesse o rio
E deixe o virtual de lado
Por querer o real também
Pois sonhar acordado
É o maior sonho que já existiu.
(Carol Aó)
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Ciço falô, tá falado!... rs
Deus disse: - Aó ! - Fotografia.
e poonto acertou o cara e o cara virou AÓ FREITAS...
e ponto...
o resto da sua vida é reticências ..."
domingo, 8 de novembro de 2009
Todos os Contos
O pé-de-feijão preto com o gigante na colina.
Pessoas confundem as histórias,
não sabem o que é fantasia.
Faz o feliz ser só no final
E depois fim.
Sobem as letras de um conto
Contente de uma estranha atriz.
Peguei o feijão colorido,
também lembro dele,
e fiz meu jardim
Secreto e sem mistério.
Convidei o velho Nero
Pra gravar o que dizia.
Foram tantos risos,
Ouvidos, todos para mim.
Deparei-me ali com um prazer
repentino, descoberto sem querer.
A dona da cartola do palhaço,
A risada do coelho,
o gigante de Alice,
o sapato perdido da chapeuzinho,
a maça não mordida.
Fiz-me contador de histórias...
o dono da carochinha.
O poeta sem nexo
Na hora do truque.
O espetáculo de platéia oculta,
Curta temporada.
Um curta.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Arteira
Maior do que a imaginação pode dar.
Procuro, encontro outros rios
Pelas águas que passo e deixo passar
Vejo a clareza que antes não tinha.
Ser pequena e arteira
Não só pelo prazer que sinto,
Mas pela grandeza de ser nobre sem realeza.
(Carol Aó)
terça-feira, 12 de maio de 2009
Abril
Também sou vermelho transformado em outra coisa;
Outra coisa arte.
Meus corpos são bobinas
Todas bobas e elas riem.
Transformam leite em mim
Fazendo eu não saber de ti – só pra rimar.
Encontro um esconderijo
De barbas mal feitas
Ouço o barulho da maçaneta,
Da gaveta
E até do quarto ao lado.
Às vezes o escuro tem tanta clareza...
Habita tanta vida que não há como haver uma intenção de tristeza.
Lua uiva com os pássaros loucos
A assobiar poesias amargas
De gente dormindo.
Já se passou a madrugada
Só que o silêncio ainda neblina
Os olhos de quem nem os abriu.
Encanto o sono com rimas loucas,
Palavras soltas
E caiu na metalinguagem da construção
Mais uma vez,
De Novo...
Repito-me.
Quem não se repete?
Eis também aquela rima usada,
Gasta, mas sempre nova.
Não só sou eu a rimadora
Que rema delírios na ponta do navio.
Sou a ancora que o segura no solo
Sou a hélice que o faz navegar...
Sou um sopro no vazio
Sou o vento quando ele não quer ventar.
De costas pro mar rimo as últimas linhas
Desse mundo louco,
Mas não chego ao final.
Coço o pensamento,
Estalo os dedos,
Tenho que acordar cedo.
Esqueço o que pensei pro desfecho,
Desviei o foco.
Por isso eu invoco
Uma força qualquer
Pra rimar ‘o que quiser’
Com ‘qual é’
E não ser considerada o coringa,
A charada de um segredo que não existe.
Trago outros pensamentos para a imensidão
Do que escrevo,
Sem sentido aparente,
Insano e descrente,
Acreditado e comum
Alheio a qualquer vontade,
Tanto que quem escreveu isso não fui eu, juro.
Foi o instante fugaz,
Que exigiu de mim olhar de diamante,
Me pós na estante
E tentou me ninar pra dormir.
Agora percebo o teu canto...
Primeiro sem uma palavra,
Depois ressoando teus versos.
Já deixei as vacas indo pro brejo,
Não quis aquela companhia,
Carreguei um peso de medida inexata nas costas,
Ninguém queria saber o tamanho,
Lavei as mãos com pedras lisas,
Joguei fora a saliva,
E fui alvo de uma vontade de não acabar...
Usei meus cabelos como cortina
E fui dormir
Lágrimas de bocejo,
Ou melhor, como nome do filme e por causa do mês:
Lágrimas de abril.
Terminei?
quinta-feira, 23 de abril de 2009
A Ideia
E eu em minha sapiência quase
Não há deixo se comunicar.
Uma ideia abstrata concreta
Cutucava-me na cama
E dizia-me:
- Anda! Pegue uma caneta e deixe-me sair, quero liberdade.
Tentei lutar contra ela,
afinal, naquele momento, o sono
Seduzia-me com seus bocejos.
Mas não fui vencida pelo cansaço
E com a luz do celular
Procuro loucamente uma caneta,
Um lápis, um pedaço de carvão,
Sei lá, qualquer coisa que tinha a finalidade da escrita.
E a ideia, impaciente, reclamava:
- Vamos. Mais depressa, senão esqueço de mim. Esqueço a ideia!
Então, começou a gritar em minha mente,
Repetia-se para não esquecer
Como se fosse um disco arranhado.
Quando ela viu o papel
E a bendita caneta em minha mão
Formaram-se letras de alegria,
Com uma luz forte na ponta dos meus dedos,
Por estar a transcrever quem era ela:
Uma ideia agitada sobre a ideia de ter uma ideia na hora de dormir.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Cartola - Preciso Me Encontrar
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Depois que me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer
Quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Sorrir prá não chorar
Deixe-me ir preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
segunda-feira, 30 de março de 2009
Do Fogo ao High-tec
Posso imaginar o espanto dos homens ao descobrirem o fogo, o quão maravilhados e amedrontados ficaram com esse avanço. Acredito que teve aqueles que foram contra, que provavelmente argumentaram que algo que não era inerente ao homem não poderia coexistir naquele ambiente, mesmo se trouxesse vantagens para o mundo primitivo. Não tiro a razão deles, é compreensível o receio do incógnito, afinal, o que era de conhecimento dos mesmos era que a luz pertencia ao dia e a escuridão, à noite. Mas eis que surge a pergunta: por que não o fogo iluminando a noite? Com esse questionamento foi ultrapassada a barreira do desconhecido criando uma nova fase na história; o homem vislumbra-se com as possibilidades e usufrui da capacidade que o fogo tem de fazer com que a noite também fosse um horário propicio para realizar tarefas - outrora só executáveis enquanto houvesse sol – como a capacidade de desenvolver a culinária, aquecer no frio, iluminar o ambiente e outras funções possíveis para o elemento.
Imagino outro medo do homem: o fogo queima - fato fundamental para os que discordavam não permitirem a entrada dele no ambiente sociocultural -, era perigoso toca-lo e não conseguir manipula-lo apenas com o auxílio das mãos, e isso preocupava os habitantes da caverna. E assim, foi percebido o limite entre o homem e o fogo. Com a tecnologia deve-se estabelecer também um limite no intuito de preservação, de proteger o homem de ser manipulado pela tal, após uma dependência tamanha e avanços, como sugeriu o filme “Matrix” que retrata uma realidade de domínio das máquinas e nós como meras fontes de energia de abastecimento. Quando esse limite é ultrapassado as conseqüências não são agradáveis, como no mito da Torre de Babel, por exemplo, narrada no gênesis, em que os homens erguem a torre na intenção de alcançar o céu para que não fossem espalhados sobre a terra; a conseqüência dessa tentativa foi a chamada “confusão das línguas”, onde foi retirada a unidade linguística do povo. Atualmente, as consequências também chegariam, mas não tem como prever se seria para o lado do homem ou da tecnologia.
A tecnologia é um processo em mutação constante, veio o fogo, antes do fogo existiram outras técnicas, depois do fogo outras e o high-tec, que atualmente está no topo da pirâmide, mas deverá aparecer algo mais “high”; a verdade é que o mundo não para de avançar, principalmente por haverem pessoas a frente do seu próprio tempo com ideias inovadoras. É inevitável, afinal, pessoas assim não desaparecem do mundo, mas é preciso que tudo seja feito harmonicamente, em equilíbrio: as inovações acontecendo e homem e tecnologia coexistindo, respeitando o limite entre criador e criatura.
domingo, 8 de março de 2009
Seguro o Céu
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Prefácio...

2009 começa, ou melhor, já começou... a exatamente 19 dias. Faz tempo que não compareço aqui, mas paciência. E deixando as lamúrias de lado... vamos começar. - Começo!
Bem, e pra começar tive a idéia de fazer desse blog em um 'livro virtual', literalmente, com a estrutura e tudo de um verdadeiro livro. Então, eis que surge a primeira parte: o Prefácio - afinal, todo livro que se prese tem que ter uma bela introdução capaz de transmitir desde o início o clima da leitura -; e assim, decidi não criar algo original, decidi copiar, sem nenhuma vergonha na cara, o prefácio do primeiro livro que li do ano, o consagrado "Alice no País das Maravilhas". Agora, por que 'Alice' aqui?
Ora, é simples. Lembro-me de ter lido o prefácio de 'Alice' pelo menos umas 5 vezes antes de ler o livro por completo, a intensidade do início me transportou quase que automaticamente para o país das maravilhas retratado em suas folhas, os versos me hipnotizaram e depois que li, reli, reli e reli e os versos ecoavam em minha cabeça e veio-me a vontade de transcreve-los aqui, no 'livro virtual'. Pois bem, cá estão as vozes em minha cabeça manifestando suas vontades no mundo virtual. Seja feita todas as vontades, principalmente as impulsivas, de um livro. E palmas para Lewis Carroll pelo belíssimo começo-poema-prefácio que representou um dia de verão real de sua vida, e pelo belíssimo livro. Palmas!
“Juntos na tarde dourada
Suavemente a deslizar,
Nossos remos, sem destreza,
Dois bracinhos a manejar,
Pequeninas mãos que fingem
Nossa direção guiar.
As Três cruéis! Nesta hora,
Sob este sonho de tempo,
Implorarem por histórias
Com o mínimo de alento!
Mas que pode a pobre voz
Contra três línguas sedentas?
Proclama Prima o edito
‘Comece!’, diz sobranceira.
Mais gentil, Secunda espera:
‘Que não contenha asneira!’
Tertia a cada minuto
Detém o conto, faceira.
E de repente o silêncio,
Com os passos da ilusão
Perseguem a criança-sonho
Pelas terras da invenção,
Falando a seres bizarros...
Uma verdade, outra não.
E assim que a história secava
As fontes da fantasia,
Em vão tentava o cansado
Desfazer o que tecia,
‘Mais, só depois...’ ‘É depois!'
Gritavam com alegria
Forjou-se assim, lentamente,
O País das Maravilhas,
Está pronto, para a casa
Já foi virada a quilha
Pela alegre equipagem
Sob um sol que já não brilha.
Com mão gentil, entre os sonhos,
Alice! Guarda este conto
Na memória da infância,
Sob seu místico manto,
Grinalda que um peregrino
Colheu em terras de encanto.”