quinta-feira, 23 de abril de 2009

A Ideia

A ideia tinha formas, cores e cheiros.
E eu em minha sapiência quase
Não há deixo se comunicar.

Uma ideia abstrata concreta
Cutucava-me na cama
E dizia-me:
- Anda! Pegue uma caneta e deixe-me sair, quero liberdade.

Tentei lutar contra ela,
afinal, naquele momento, o sono
Seduzia-me com seus bocejos.

Mas não fui vencida pelo cansaço
E com a luz do celular
Procuro loucamente uma caneta,
Um lápis, um pedaço de carvão,
Sei lá, qualquer coisa que tinha a finalidade da escrita.

E a ideia, impaciente, reclamava:
- Vamos. Mais depressa, senão esqueço de mim. Esqueço a ideia!
Então, começou a gritar em minha mente,
Repetia-se para não esquecer
Como se fosse um disco arranhado.

Quando ela viu o papel
E a bendita caneta em minha mão
Formaram-se letras de alegria,
Com uma luz forte na ponta dos meus dedos,
Por estar a transcrever quem era ela:
Uma ideia agitada sobre a ideia de ter uma ideia na hora de dormir.

1 comentário:

Daniel Barbosa disse...

Boa noite!
Gostei muito desse texto, não sei, mas acho que escrevemos algo, ainda que longuíquio, um pouco parecido mas de formas diferentes.
Essa vontade de escrever algo, essa vontade de poema livre.