terça-feira, 1 de novembro de 2011

o ponto.

De todas as vezes que senti,
essa também deixei....

Deixei minhas mãos não te tocarem,
os meus braços não te seguirem,
a minha boca não procurar tua nuca.

Neguei meu olfato.

Deixei...
e de minha deixa saltei os teus pés
de uma vida que não era minha.

Amanheci diferente,
como se a noite não pudesse
ter me dado nada, mas
surpreendentemente me deu tudo.

Cada voz em silêncio repetia "Deixe!"
e eu as ouvi, pela primeira vez,
como surdo desesperado pelo som.

Pela solidão de qualquer resposta
é nesse meio que me disperso,
deixo que seja passagem
tudo que foi chegada.

Não penso nas perguntas que já fiz,
nas feridas que causei
e nas que ainda ardem em mim.

Foi embora o que mais quis lembrar,
deixo passar pelo bem de quem?

Aos amores que não foram,
aos amantes do sentir...
aviso que deixo!
Pois não posso ser outra palavra.

Aos sonhadores, eu deixo
as palavras de um final feliz
feito apenas no papel;
o único lugar onde posso
escolher não deixar.


(Carol Aó)

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