A menina me deu asas e eu insistir em não usar. “menina,
sabe pra que serve toda essa aerodinâmica? O que posso te dar?”
Ofereci apenas o que tinha. Esse lado meu, esse eu que sou
outro também. Ofereci o que não tinha somente nos devaneios em que estávamos
juntas, felizes.. “isso é uma corrente, uma correnteza” certeza nenhuma dessa
vida eu carrego, um tobogã capaz de me levar ao fundo e ao mesmo tempo me fazer
sentir uma provável adrenalina.. “deixa fluir”, é o que meu corpo dizia, e a
minha voz repetia como sendo a forma mais certa de se imaginar um voo noturno
com asas dadas.
Quis a noite, quis a avenida inteira em busca do que consome
o tempo e o faz passar mais depressa ao teu encontro. Se sou uma estrada ou
caminho, não sei quais são meus trilhos nem a direção e o meu sentido, sei que
um dia cheguei ao teu lado no improvável que os desencontros nos deu e no
encontro que se seguiu, oscilando entre alegria e tristeza no beijo. Enxergando
o amor, mas calando-o com toda a força. “sufoca”, sufoco na lembrança das
palavras rabiscadas em um livro, no decalque de cada verso em minha mão, no
carimbo que fiz em cada passo que dei e dou: uma avenida. Talvez uma rua em
suas pegadas com cruzamento e destino e curvas sinuosas à direita, como uma
placa de trânsito. E eu acelero, e divago, e corro, e chego, e te abraço, e
vou. “eu fico, se você quiser” sem promessas solares, mas com um luar gigante
em nossa janela, num oceano nosso de beijos – os mais maravilhosos com gosto de
pasta de dente. E sem final, finalmente somos mais do que eu e você, somos nós.
13 de dezembro 2014.
Sem comentários:
Enviar um comentário