
2009 começa, ou melhor, já começou... a exatamente 19 dias. Faz tempo que não compareço aqui, mas paciência. E deixando as lamúrias de lado... vamos começar. - Começo!
Bem, e pra começar tive a idéia de fazer desse blog em um 'livro virtual', literalmente, com a estrutura e tudo de um verdadeiro livro. Então, eis que surge a primeira parte: o Prefácio - afinal, todo livro que se prese tem que ter uma bela introdução capaz de transmitir desde o início o clima da leitura -; e assim, decidi não criar algo original, decidi copiar, sem nenhuma vergonha na cara, o prefácio do primeiro livro que li do ano, o consagrado "Alice no País das Maravilhas". Agora, por que 'Alice' aqui?
Ora, é simples. Lembro-me de ter lido o prefácio de 'Alice' pelo menos umas 5 vezes antes de ler o livro por completo, a intensidade do início me transportou quase que automaticamente para o país das maravilhas retratado em suas folhas, os versos me hipnotizaram e depois que li, reli, reli e reli e os versos ecoavam em minha cabeça e veio-me a vontade de transcreve-los aqui, no 'livro virtual'. Pois bem, cá estão as vozes em minha cabeça manifestando suas vontades no mundo virtual. Seja feita todas as vontades, principalmente as impulsivas, de um livro. E palmas para Lewis Carroll pelo belíssimo começo-poema-prefácio que representou um dia de verão real de sua vida, e pelo belíssimo livro. Palmas!
“Juntos na tarde dourada
Suavemente a deslizar,
Nossos remos, sem destreza,
Dois bracinhos a manejar,
Pequeninas mãos que fingem
Nossa direção guiar.
As Três cruéis! Nesta hora,
Sob este sonho de tempo,
Implorarem por histórias
Com o mínimo de alento!
Mas que pode a pobre voz
Contra três línguas sedentas?
Proclama Prima o edito
‘Comece!’, diz sobranceira.
Mais gentil, Secunda espera:
‘Que não contenha asneira!’
Tertia a cada minuto
Detém o conto, faceira.
E de repente o silêncio,
Com os passos da ilusão
Perseguem a criança-sonho
Pelas terras da invenção,
Falando a seres bizarros...
Uma verdade, outra não.
E assim que a história secava
As fontes da fantasia,
Em vão tentava o cansado
Desfazer o que tecia,
‘Mais, só depois...’ ‘É depois!'
Gritavam com alegria
Forjou-se assim, lentamente,
O País das Maravilhas,
Está pronto, para a casa
Já foi virada a quilha
Pela alegre equipagem
Sob um sol que já não brilha.
Com mão gentil, entre os sonhos,
Alice! Guarda este conto
Na memória da infância,
Sob seu místico manto,
Grinalda que um peregrino
Colheu em terras de encanto.”
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