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Eu vivo esse transe. Num instante sou veneno em outro a
cura. Passos, pés, pegadas, marcas pelo caminho em giro de flor. Sei que quase
nunca nada faz sentido ou tudo se reverte do que nada pode ser enquanto outra
vida desperta numa vista tranquila. Existem provérbios que não leio, existem
razões que não escuto e desejos que nego perante todos. Vivo em disritmia, onde
prevejo o beijo esquecido e as mãos não dadas, onde anseio pelo que não chegou
e nem tem sinal de vir. É como uma
ciranda onde não conheço a nota, apenas toco por dedicação passada. Enquanto a
toco, sei de cor, mas se me perguntam nem sei como se anuncia, que nota seria essa ou aquela, por onde começa,
por onde caminha e termina.
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