sexta-feira, 18 de maio de 2018

outro ontem.

Não estou escrevendo para você. Ou talvez esteja e nego. Escrevo pra entender o que vivi por tanto tempo. Minhas dores, minhas inseguranças, meu passado, meu vazio. Sim, escrevo sobre 'eu', mas um 'eu' carregado de você. Das coisas que senti e deixei de ser depois de você. É complicado. No fim, foi mais uma lição distorcida de realidade, uma peça pregada, uma vontade de não errar e nem cometer os mesmo erros que outrora eram seus. Eu sofri muito e se escrevo agora é porque ainda sofro pelas marcas que tudo me causou. Como é difícil perdoar, como é difícil se perdoar.

Eu não sou real. Não mais. Caminho com pernas que não são minhas, digito com dedos que não são mais meus. Sou miragem de uma pessoa que sinto saudade: eu. Um eu quando vivia de amores por você. Eu me via em você. Eu vivia em você. Talvez esse tenha sido meu erro, de ser tão você que não aprendi a me 'ser'. Dói. Porque eu não te tinha e vivia nessa ilusão que insistia que não me deu... amei sofrendo, amei na dor, amei no ciúme, amei na insegurança, amei escondido, calei amor, chorei amor no silêncio, sufocada. 
Quando pude, errei tudo. Desde o começo.

Toda cura transmuta em silêncio.



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